Pesquisar este blog

terça-feira, 29 de março de 2011

Cirurgia de próstata por robô já dá bons resultados


Índice de recidiva do câncer após cinco anos é de apenas 13%

Estudo mostra que cirurgia realizada por robôs é segura para pacientes com câncer de próstata 
A cirurgia para retirada de glândulas cancerígenas da próstata realizada com a ajuda de robôs atingiu níveis considerados seguros e com resultados satisfatórios, aponta estudo publicado no periódico cientifico European Urology. O levantamento mostra que 87% dos pacientes que passaram pelo procedimento não apresentaram recidiva depois de cinco anos.
"Nós sempre sentimos que o procedimento robótico para o câncer de próstata era seguro, mas não tínhamos estudos que comprovassem essa confiabilidade a longo prazo. Por isso, esta pesquisa é importante", disse o pesquisador Mani Menon, diretor do Instituto de Urologia do Hospital Henry Ford, nos Estados Unidos.
Para chegar aos resultados, o estudo analisou dados de 3.317 pacientes que passaram pelo hospital entre janeiro de 2005 e dezembro de 2009. A prostatectomia radical consiste na remoção de toda a próstata e dos tecidos que ficam ao redor dela. A cirurgia é realizada com objetivo de impedir que o câncer se espalhe para outras partes do corpo.
Complicações – Entre o grupo de pacientes observados, os pesquisadores registraram um período médio de internação de um dia. Além disso, foram registradas 368 complicações em 326 pacientes – ou 9,8% do total. A maior parte dos problemas, no entanto, foi considerada branda. Segundo os pesquisadores, a cirurgia realizada com robôs diminui o tempo de recuperação, causa menos trauma e ainda reduz os custos de hospitalização.

A dor da rejeição não é só uma metáfora, diz estudo

Cientistas comprovaram que as regiões do cérebro que reagem à dor física são as mesmas que respondem a um fora

A dor do coração partido não é apenas figura de linguagem. As regiões do cérebro que reagem à dor física coincidem com aquelas que reagem à rejeição social, de acordo com estudo que analisou imagens do cérebro de pessoas que passaram por rompimentos amorosos recentes.
“Os resultados dão um novo significado para a ideia de que a rejeição 'dói'", escreveu Ethan Kross, autor do estudo e professor de psicologia da Universidade de Michigan. O estudo foi publicado na edição desta semana do periódico científico da Academia Nacional das Ciências.
Edward Smith, da Universidade de Columbia, que também participou do estudo, explicou que a pesquisa mostra que os eventos psicológicos ou sociais podem afetar regiões do cérebro que os cientistas pensaram que eram dedicadas apenas à dor física.
De certa forma, os cientistas estão dizendo "não é uma metáfora", disse Smith em entrevista por telefone.
O estudo envolveu 40 voluntários que passaram por um indesejável fora nos últimos seis meses e que afirmaram que pensar no tal fora provocava sentimentos intensos de rejeição.
Imagens de ressonância magnética foram usadas para estudar o cérebro dos voluntários em quatro situações. Na primeira delas, o voluntário com coração partido via a foto do ex-parceiro e pensava sobre os desdobramentos do relacionamento. Em outra situação, o voluntário via a foto de um amigo e pensava em uma experiência positiva com esta pessoa. As outras duas situações envolviam um dispositivo colocado no braço que produzia um calor suave ou se tornava quente o suficiente para provocar dor.
As duas situações negativas – pensar sobre a perda de um parceiro e ser queimado – causaram respostas em partes sobrepostas do cérebro, constatou o estudo. 

Estudos anteriores não tinham mostrado a relação entre a dor física e a emocional, e também tinham usado eventos menos dramáticos, como alguém que tivesse simplesmente afirmado ‘não gosto de você’ ”, disse Smith.

“No caso do estudo publicado nesta semana, os voluntários haviam de fato sido rejeitados e continuavam sentido a dor da perda”, disse.

Há ainda evidências de que o estresse emocional, como a perda de um ente querido, pode afetar as pessoas fisicamente. De acordo com Smith, estudos como este podem ajudar os pesquisadores a desenvolver maneiras de ajudar pessoas que são sensíveis à perda ou à rejeição.
(com informações da AP)

quinta-feira, 17 de março de 2011

Farmácia Popular cresce 45% no primeiro mês de gratuidade

Número de ofertas gratuitas e autorizações comerciais aumenta de 1,8 milhão para 2,6 milhões desde o início do "Saúde Não Tem Preço"
O programa Farmácia Popular apresentou crescimento expressivo no primeiro mês de gratuidade dos medicamentos para hipertensão e diabetes. Cresceu 45% o número de autorizações (para venda e oferta grátis) de todos os 25 itens do Aqui Tem Farmácia Popular, entre 14 de fevereiro e 14 de março, nas farmácias da rede privada credenciadas ao programa. Esse período refere-se aos primeiros 28 dias do “Saúde Não Tem Preço”, ação do governo federal que, desde o dia 14 do último mês de fevereiro, subsidia 100% do valor dos medicamentos para hipertensão e diabetes.

Do início da gratuidade do programa até a última segunda-feira (14), foi retirado um total de 2,6 milhões de itens contra 1,8 milhão no período anterior (de 14 de janeiro a 14 de fevereiro). O aumento das autorizações para oferta gratuita de medicamentos para hipertensão e diabetes foi ainda maior: cresceu 61% e 50%, respectivamente.

A gratuidade no Farmácia Popular beneficiou os usuários de medicamentos no país e trouxe vantagens tanto para as farmácias conveniadas quanto para a indústria farmacêutica. O salto nas retiradas de medicamentos mostra que o programa não só amplia o acesso da população à assistência farmacêutica como também é vantajoso para o comércio varejista ao alavancar as vendas de outros itens disponíveis nos estabelecimentos, “atraídas” pelos produtos disponíveis no Aqui Tem Farmácia Popular. “Com isso, as farmácias e drogarias credenciadas ao programa aumentam a competitividade no mercado em relação aos estabelecimentos não-conveniados”, analisa o diretor de Assistência Farmacêutica do Ministério da Saúde, José Miguel do Nascimento Júnior.

Para viabilizar a gratuidade dos medicamentos para hipertensão e diabetes disponíveis no programa, o ministério fez um intenso trabalho de articulação com produtores e distribuidores da indústria farmacêutica e também com os estabelecimentos parceiros do programa. Com isso, o setor produtivo e as unidades conveniadas, em uma atitude socialmente responsável, se comprometeram com o programa.

INFORMAÇÃO 

O acesso da população às unidades do Farmácia Popular foi facilitado por meio de uma ferramenta inovadora: um serviço de SMS (mensagem via celular) que informa as unidades credenciadas mais próximas à casa do usuário do programa. Basta enviar mensagem para o número 27397 informando o CEP da residência (somente os números, sem sinais gráficos) que, em poucos segundos, o usuário recebe resposta com informações precisas sobre o nome, o endereço e o telefone de até três farmácias onde o usuário poderá obter, de graça, medicamentos para hipertensão e diabetes. O serviço de “torpedo” via SMS não tem qualquer custo à população e permanece disponível até o final deste mês.

Além dos medicamentos gratuitos para hipertensão e diabetes, o Aqui Tem Farmácia Popular oferece mais 14 tipos de medicamentos, com até 90% de desconto, utilizados no tratamento de asma, rinite, mal de Parkinson, osteoporose e glaucoma, além de fraldas geriátricas. Os medicamentos são oferecidos em mais de 15 mil farmácias e drogarias da rede privada credenciadas ao Aqui Tem Farmácia Popular e nas 544 unidades próprias (administradas pelo governo federal) do programa.

ORIENTAÇÕES AOS USUÁRIOS 

Para obter os produtos disponíveis no Farmácia Popular, o usuário precisa apresentar CPF, documento com foto e receita médica, que é exigida pelo programa como uma forma de se evitar a automedicação, incentivando o uso racional de medicamentos e a promoção da saúde.

Eventuais dúvidas sobre o Farmácia Popular podem ser esclarecidas e comunicadas ao Ministério da Saúde – pelos estabelecimentos credenciados ou pelos usuários do programa – por meio do Disque-Saúde (0800-61-1997) como também pelo e-mail analise.fpopular@saude.gov.br.

Os medicamentos gratuitos para hipertensão e diabetes são identificados pelo princípio ativo ou /nome genérico”, que é a substância que compõem o medicamento. Os itens disponíveis são informados pelas unidades do programa, onde os usuários podem ser orientados pelo profissional farmacêutico. É ele que deverá informar, ao usuário, o princípio ativo que identifica o nome comercial do medicamento (de marca, genérico ou similar) prescrito pelo médico.

Princípios ativos dos medicamentos oferecidos gratuitamente pelo Aqui Tem Farmácia Popular:

Hipertensão
Captopril 25 mg, comprimido
Maleato de enalapril 10 mg, comprimido
Cloridrato de propranolol 40 mg, comprimido
Atenolol 25 mg, comprimido
Hidroclorotiazida 25 mg, comprimido
Losartana Potássica 50 mg

Diabetes
Glibenclamida 5 mg, comprimido
Cloridrato de metformina 500 mg, comprimido
Cloridrato de metformina 850 mg, comprimido
Cloridato de metformina de ação prolongada 500 mg
Insulina Humana NPH 100 UI/ml – suspensão injetável, frasco-ampola 10 ml
Insulina Humana NPH 100 UI/ml – suspensão injetável, frasco-ampola 5 ml
Insulina Humana NPH 100 UI/ml – suspensão injetável, refil 3ml (carpule)
Insulina Humana NPH 100 UI/ml – suspensão injetável, refil 1,5ml (carpule)
Insulina Humana Regular 100 UI/ml, solução injetável, frasco-ampola 10 ml
Insulina Humana Regular 100 UI/ml, solução injetável, frasco-ampola 5 ml
Insulina Humana Regular 100UI/ml, solução injetável, refil 3ml (carpules)
Insulina Humana Regular 100UI/ml, solução injetável, refil 1,5ml (carpules)



http://gazetaweb.globo.com

quarta-feira, 9 de março de 2011

Origem do Alzheimer pode estar no fígado, não no cérebro


Estudo realizado em camundongos defende que proteínas podem iniciar doença

A doença de Alzheimer acontece quando placas da proteína amiloide se depositam no cérebro(Photoresearchers/Photoresearcher)

Um estudo sobre o Alzheimer realizado pelo Scripps Research Institute, uma das maiores organizações não-governamentais de pesquisa do mundo, propõe uma mudança radical na compreensão e tratamento da doença neurológica. De acordo com a pesquisa, a fonte das proteínas beta-amiloides, que se acumulam no cérebro e estão associadas ao mal, não é o cérebro, mas o fígado.
Publicada no periódico científico The Journal of Neuroscience Research, a pesquisa usou camundongos geneticamente modificados a fim de identificar os genes ligados à produção de beta-amiloide acumulada no cérebro. Descobriu-se que três genes cumprem essa função. Quanto menor a expressão (capacidade de produção da beta-amiloide) desses genes no fígado, maior a proteção ao cérebro. Isso significa que, a cada ação dos genes no organismo, mais proteínas são fixadas no cérebro. Um desses três genes é ainda o responsável por codificar a presenilina, uma proteína da membrana celular que contribui para o desenvolvimento do Alzheimer.
Para os cientistas do Scripps Research, a descoberta pode impulsionar um novo tipo de tratamento. "Essa descoberta promete ser o primeiro passo na simplificação dos desafios que encontramos para o desenvolvimento de novas terapias contra a doença", diz Greg Sutdiffe. De acordo com um recente relatório preparado pela Associação Americana de Alzheimer, a ausência de tratamentos efetivos do mal pode provocar gastos em cuidados gerais com os pacientes superiores a 20 trilhões de dólares em 2050 (cerca de dez vezes o produto interno bruto do Brasil).
Medicação – A droga Gleevec, usada em pacientes com leucemia ou com câncer gastrointestinal, foi aplicada nos camundongos durante os testes clínicos. Já aprovado pela FDA, agência estatal americana que regula medicamentos e alimentos, a droga, que tem baixa penetração no cérebro, foi eficaz na redução da produção de beta-amiloide no fígado. "Essa característica cerebral da droga foi fundamental na escolha dela para os testes", diz Sutdiffe.
O uso do Gleevec no tratamento dos camundongos com Alzheimer, segundo David Schlesinger, neurologista do Instituto do Cérebro do Hospital Albert Einstein, de São Paulo, é um dos achados mais interessantes do estudo da equipe americana. "Claro que ainda é muito cedo para sairmos tratando pacientes com essa droga. Mas, como é um remédio já aprovado, os estudos em humanos podem ser feitos de maneira mais rápida", diz Schlesinger.
A única restrição à transposição dos resultados da pesquisa a humanos, segundo o neurologista, é relativa a diferenças entre espécies: o fígado humano não tem uma produção de amiloide tão significativa quanto o dos camundongos. "Mesmo assim, a descoberta é um caminho interessante e deve ser levada adiante. Mas, por ora, ela ainda não modifica a maneira como entendemos a doença nos humanos", diz Schlesinger.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Estudo amplia lista de danos causados pelo diabetes


Doença aumentaria a ocorrência de derrames, tumor de fígado e mama e infecções no pulmão e nos rins, além de reduzir sobrevida de pacientes


Controle do diabetes: pacientes com a doença devem monitorar as taxas de açúcar no sangue constantemente (Jeffrey Hamilton/Thinkstock)

Pesquisa publicada no periódico científico New England Journal of Medicine concluiu que o diabetes pode reduzir em até seis anos a sobrevida dos portadores da doença que já passaram dos 50 anos. O estudo, conduzido pela Universidade de Cambridge, na Grã-Bretanha, descobriu que, no público analisado, o mal duplica a ocorrência de ataque cardíaco, derrame e tumor de fígado e aumenta em 25% os riscos de câncer de mama, além de facilitar o aparecimento de infecções e doenças no pulmão e nos rins.
Os pesquisadores ainda discutem, porém, o mecanismo que leva o diabetes a aumentar a incidência dos problemas citados. A hipótese mais provável é que o mal enfraqueça o sistema imunológico, debilitando o organismo frente à ação de microorganismos invasores. O assunto será tema de estudos futuros.
"O diabetes está relacionado a uma variedade muito ampla de ocorrências médicas", diz John Danesh, coordenador da equipe de pesquisadores. Ele afirma que o conceito que liga a doença apenas a problemas cardíacos está ultrapassado. "Para nossa surpresa, o diabetes tem muitas outras implicações à saúde."
Para empreender o estudo, os especialistas analisaram dados de 820.900 voluntários que participaram de cem estudos dos Estados Unidos e na Europa. A maioria era portadora do diabetes tipo-2, forma mais comum da doença, que leva o organismo a produzir quantidades insuficientes de insulina para o controle do açúcar no sangue – o que pode provocar danos aos nervos e vasos sanguíneos, causando problemas cardíacos.


Novo exame de sangue pode prever síndrome de Down


Teste pode eliminar o risco de aborto espontâneo dos exames que atualmente são aplicados em gestantes

Novo método prevê apenas um exame de sangue para detectar a Síndrome de Down nos fetos (Getty Images)

Em breve, os atuais exames invasivos que preveem a possibilidade de uma criança nascer com Síndrome de Down darão lugar a um simples exame de sangue. É o que promete um estudo publicado no periódico Nature Medicine conduzido por pesquisadores do Chipre. Eles afirmam que o teste feito com 40 gestantes previu com precisão os fetos que tinham risco de apresentar a síndrome. Para tanto, foi utilizado o sangue da mãe.
Philippos Patsalis, diretor médico do Instituto Chipre de Neurologia e Genética, que comandou o estudo, disse que os resultados são "muito instigantes". O experimento precisa ser testado em um estudo maior, com cerca de mil gestações, mas mudanças em práticas clínicas já poderão aparecer dentro de dois anos.
"Acreditamos que poderemos modificar este exame, tornando-o muito mais fácil e simples, e então teremos algo para ser introduzido na prática clínica," disse Patsalis.
A síndrome de Down é um distúrbio genético e ocorre em um de cada 700 bebês nascidos vivos em todo o mundo. O risco de ter um bebê com síndrome de Down - que ocorre quando uma criança tem três cópias do cromossomo 21, em vez das duas normais - aumenta com a idade da gestante. O risco incorrido quando a mãe tem 40 anos é 16 vezes maior que o de uma mãe de 25.
Atualmente, os médicos usam um exame chamado amniocentese para verificar a probabilidade de um bebê nascer com a síndrome de Down. O exame geralmente é realizado com 15 ou 16 semanas de gestação e exige a retirada de líquido amniótico da mãe, com a inserção de uma agulha no útero. Como a amniocentese traz um pequeno risco de aborto espontâneo - que Patsalis avaliou em 1 ou 2 por cento -, cientistas vêm buscando maneiras menos invasivas de fazer exames para Down e outras doenças genéticas.
O método de Patsalis usa uma pequena amostra de sangue que é retirada da mãe entre a 11ª e a 13ª semana da gestação. A presença de cópias extras do cromossomo 21 no feto é detectada com a análise do sangue materno. Em uma amostra pequena, a equipe de Patsalis diagnosticou corretamente 14 casos em que havia cópias extras do cromossomo, além de 26 fetos normais. "A abordagem não invasiva vai evitar o risco de aborto espontâneo provocado pelos procedimentos atuais, mais invasivos," escreveram os cientistas, no artigo.
(Com Agência Reuters)





Anvisa quer banir remédios para emagrecer pelos riscos que oferecem


O reinado dos remédios emagrecedores está por um fio. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) quer banir de vez a comercialização de todas as drogas usadas para emagrecer que atuam no sistema nervoso central: a sibutramina e os derivados de anfetamina (femproporex, dietilpropiona e mazindol). A única droga para o tratamento da obesidade que continuará liberada será o orlistate (Xenical), que atua diretamente no intestino, reduzindo em cerca de 30% a absorção de gordura.
Diante de estudos que apontam que o consumo de sibutramina aumenta o risco de problemas cardíacos, desde o ano passado a Anvisa impôs novas regras e endureceu os critérios de venda dessa droga. Ela deixou de ser vendida como medicamento comum e passou a integrar a categoria dos anorexígenos, drogas que exigem receita especial.
A proposta de proibir os emagrecedores foi anunciada a especialistas e entidades médicas da área na semana passada e será publicada nesta quarta-feira no site da agência, junto com um parecer explicando os motivos. Para médicos endocrinologistas que atuam no combate à obesidade, a medida é radical demais e vai deixar os pacientes sem opção de tratamento, já que o controle da fome e da saciedade ocorre no cérebro. "Quase metade da população brasileira tem sobrepeso. Muitos pacientes não conseguem perder peso com o tratamento clínico convencional, que inclui dieta e exercícios físicos. Como vamos controlar a obesidade desses pacientes sem mexer no cérebro?", diz o endocrinologista Márcio Mancini, chefe do departamento de obesidade do Hospital das Clínicas (HC).
Estudo
Os benefícios não superam os riscos. Esse é o principal argumento que a Anvisa pretende usar na próxima semana, durante audiência pública, para convencer a classe médica de que é melhor proibir de vez o uso de medicamentos usados para emagrecer. Segundo Dirceu Barbano, diretor da agência, o assunto vem sendo discutido desde o ano passado, quando a União Europeia baniu a sibutramina. "Quase nenhum outro país tem sibutramina. As anfetaminas também estão diminuindo. E não há notícia de que isso piorou ou atrapalhou o tratamento da obesidade." Em 2009, foram vendidas no País 67,5 toneladas de sibutramina.
Segundo Barbano, a Anvisa fez um levantamento interno e concluiu que, por mais que o medicamento seja controlado e indicado apenas para pacientes com determinados perfis, não há evidências suficientes que demonstrem que a perda de peso supera os riscos cardíacos. "A nossa proposta, sustentada por uma extensa pesquisa, é de retirada imediata desses produtos do mercado. A não ser que consigam nos demonstrar com dados consistentes que estamos errados e esses remédios são bons e seguros", diz.

Novo conceito para a camisinha

Com mais de uma década de criado, preservativo feminino entra na segunda geração e foca vulnerabilidade da mulher


O HIV está longe de ser o único contágio a ser evitado com o uso do preservativo - masculino ou feminino; o vírus do papiloma humano (HPV) causa lesões pré-cancerosas 
FOTO: GEORGIA SANTIAGO

A nova consciência feminina de preservar-se sempre, durante o ato sexual, seja no intuito dos auto-cuidados, a fim de evitar contágios de Doenças Sexualmente Transmissíveis- DSTs (como HPV , hepatite B e HIV/Aids), seja para evitar uma gravidez indesejada, passa há mais de uma década também pelo uso do preservativo feminino.

Embora, a princípio, tenha sido vista com bastante estranheza, a camisinha feminina hoje já recebe uma conceituação mais abrangente, dando à mulher autonomia e liberdade, para não ficar à mercê de um possível parceiro inconsciente.

A distribuição do produto destinado às mulheres, no momento bem mais reduzida do que a do preservativo masculino (desde o ano 2000 até 2010, a dispensação gratuita da camisinha feminina, no Brasil, alcançou a casa de 16 milhões), há alguns anos passou a ser melhor avaliada. Isso ocorre, sobretudo, porque as mulheres mantêm um comportamento ainda mais tradicional, em termos de ceder às solicitações masculinas quando eles não entendem a importância de se preservarem, assim como sua parceira sexual.

Sexo seguro
A adoção do sexo seguro é uma premissa para uma vida mais saudável, sem a exclusão de uma dimensão importante dela, que é a sexualidade. No decorrer dos anos, após os primeiros casos de Aids, os grupos que passaram a se cuidar mais foram justamente o das pessoas que descobriram sua sorologia positiva para o HIV, as quais faziam parte dos denominados grupos de risco. Por incrível que pareça, estes são grupos que mais se cuidam desde então, esclarecendo também os que necessitam se submeter à transfusões de sangue e homossexuais. Já os dependentes de drogas são esclarecidos por organizações destinadas à redução de danos.

Conforme a psicóloga e sexóloga Rose Villela, ainda que nos dias atuais se fale abertamente sobre sexo e sexualidade, o tema é tabu e a repressão feminina, um fato. A falta de compreensão e diálogo continua levando as mulheres a crescerem sem conhecimentos básicos sobre sua própria sexualidade, revela.

"Se, para os meninos o assunto já é tabu, para muitas meninas ele é proibido. A perpetuação desse discurso, por anos e anos, estigmatizou o sexo como algo indevido e sujo, principalmente, entre as mulheres", diz.

Villela, que é especializada em terapia reichiana, admite que por muito tempo as mulheres se preocuparam apenas em "servir" aos seus maridos e, com isso, já se mantinham submissas à suas vontades. "Se uma mulher exigisse de seu parceiro o uso da camisinha, poderia ser rotulada como infiel", destaca, lembrando sempre ter havido preconceito associado à necessidade de demonstrar um amor e confiança absoluta no parceiro.

Mesmo com o espaço social conquistado pelas mulheres, diz Villela, ainda se identifica a mesma dificuldade entre elas de negociarem o uso da camisinha com seus parceiros, admite.Continua na página 2

Fique por dentro
Feminização da Aids

Em Fortaleza ocorre o processo de implementação do Plano de Enfrentamento à Feminização da Aids. Em conjunto, com os Distritos de Saúde de todas as Secretarias (SERs) e com o movimento social, os grupos formados procuram concretizar ações pautadas no Plano de Ações e Metas da Coordenação Municipal de DST Aids e Hepatites Virais. 

A transmissão horizontal preocupa. Além dela, a vertical (a transmissão do HIV de mãe para bebê é outra realidade frequente). Por isso, as unidades de saúde fazem a dispensação de preservativos masculinos e femininos, quando solicitados, (todos sob orientação) e exames.

Mudanças
95% dos casos de Aids identificados em mulheres brasileiras, somente no ano de 2009, foram decorrentes de relações heterossexuais desprotegidas (sem o uso de preservativos).

ROSE MARY BEZERRAREDATORA


domingo, 6 de março de 2011

Anvisa deve controlar uso de repelentes por crianças

Já há recomendação da Anvisa para que as embalagens tenham alertas, mas isso passará a ser obrigatório


A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) deve aumentar o controle sobre repelentes de insetos. A mudança visa proteger principalmente crianças, mais vulneráveis a intoxicação.

Está em consulta pública até o próximo dia 16 uma proposta que estabelece requisitos técnicos mínimos sobre segurança, eficácia e rotulagem de cremes e aerossois.

Se a resolução for aprovada, as marcas que estão no mercado terão seis meses para alterar as embalagens, que deverão informar o princípio ativo da fórmula e a concentração da substância, além de trazer alertas sobre o uso.

Já há recomendação da Anvisa para que as embalagens tenham alertas, mas isso passará a ser obrigatório.

Mesmo os repelentes com princípios ativos naturais devem ter avisos nos rótulos.

Há dois tipos de repelentes mais comuns no Brasil: os de citronela (planta aromática) e os de deet (abreviatura de dietiltoluamida), um composto químico que age nos insetos impedindo que sintam o odor humano.

A maioria das marcas tem deet na fórmula, entre elas OFF! e Repelex. Não há muitas pesquisas sobre o efeito da substância, mas sabe-se que pode ser tóxica dependendo da concentração.

"A concentração determina a eficácia do produto e também a toxicidade. A substância pode ser absorvida e causar alergias, vômitos ou mesmo alterações neurológicas como sonolência", diz Ana Paula Beltran Castro, alergologista e pediatra do Hospital das Clínicas de SP.

Quanto maior a concentração de deet, mais dura o efeito (produtos com 23% protegem por até cinco horas) e maior o risco de intoxicação.



http://gazetaweb.globo.com