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terça-feira, 9 de agosto de 2011

Exame de urina poderá diagnosticar câncer de próstata

Células de câncer de próstata em cultura laboratorial (Parviz M. Pour/Latinstock)

Um grupo de cientistas da Universidade de Michigan desenvolveu um exame de urina que detecta o risco de câncer de próstata e que pode servir de indicador sobre a necessidade de fazer ou não uma biópsia. O estudo foi publicado na revista Science Translational Medicine.
A análise detecta uma anomalia genética presente em 50% dos casos de câncer de próstata, quando se fundem os genes TMPRSS2 e ERG. No entanto, como esta fusão só aparece na metade dos casos, os pesquisadores optaram por incluir na prova outro marcador tumoral, o PCA3. Uma combinação que fornece mais dados para a detecção do câncer de próstata que a de qualquer um destes marcadores individualmente.
Para realizar este estudo, os cientistas analisaram amostras de urina de 1.312 homens em três centros médicos acadêmicos e em sete hospitais. Depois, dividiram os pacientes em três grupos segundo o risco de sofrer de câncer: baixo, médio e alto. E então, compararam os resultados do exame de urina com os das biópsias feitas em cada paciente. 
Os exames histológicos revelaram a presença de câncer em 21% dos casos que a prova tinha determinado como de baixo risco; em 43% os de médio e em 69% os do grupo de alto risco. Além disso, só 7% dos homens que pertenciam ao grupo de baixo risco foram diagnosticados com tumor agressivo, já os de alto risco chegaram a 40%.
Segundo a equipe de cientistas, há muitos mais homens que têm uma elevada presença do antígeno PSA no sangue que os que realmente sofrem câncer de próstata, algo que até o momento é difícil de determinar sem uma biópsia. 
A American Câncer Society estima que 217.730 pessoas receberão um diagnóstico de câncer de próstata este ano nos Estados Unidos, enquanto que 32.050 morrerão por causa desta doença. No Brasil, em 2010, segundo o Instituto Nacional do Câncer, foram diagnosticados 52.350 novos casos e morreram 11.955 homens devido ao câncer de próstata.

Exposição ao mofo na infância aumenta risco de asma


Convivência diária com o fungo coloca em risco desenvolvimento respiratório

Doença respiratória: crianças que são expostas com frequência ao mofo correm mais riscos de desenvolver asma(Thinkstock)



Crianças que moram em casas com mofo têm três vezes mais chances de desenvolver asma aos sete anos – idade em que o diagnóstico pode ser feito com mais precisão. É o que afirma um estudo publicado no Annals of Allergy, Asthma & Immunology. De acordo com os pesquisadores, a presença de fungos pela casa tem um papel crítico no desenvolvimento da saúde respiratória da criança.
“É claro que fatores genéticos também são importantes e devem ser considerados”, diz Tiina Reponen, professora de saúde ambiental da Universidade de Cincinnati e coordenadora da pesquisa. No estudo, conduzido por Tiina e profissionais do Hospital Médico da Criança, foram analisados dados de 176 crianças, colhidos ao longo de sete anos, para avaliar quais eram os efeitos da exposição precoce ao mofo.
Todas as crianças estudadas faziam parte de um grupo de 700 voluntários de outro estudo local de longo prazo sobre alergia e poluição do ar. Os níveis de exposição ao mofo foram medidos, então, com uma ferramenta de análise baseada no DNA, desenvolvida pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos. Essa ferramenta combina resultados da análise de 36 tipos de mofos em um índice capaz de indicar a carga de mofo em uma casa.
Descobriu-se, então, que crianças que moravam em residências onde eram expostas ao mofo, tinham três vezes mais riscos de desenvolver a asma. De acordo com os pesquisadores, estima-se que cerca de 9% das crianças em idade escolar nos EUA irá desenvolver asma. Os estudos mostram, no entanto, que os índices costumam ser relativamente mais altos em crianças de áreas urbanas pobres – onde há maior exposição ao mofo.
Sintomas - “Os indícios da asma pediátrica vão de uma tosse irritante que dura por dias ou semanas a episódios súbitos de falta de ar e chiado que requerem tratamentos de emergência”, diz David Bernstein, alergista e coautor do estudo. Segundo o Colégio Americano de Alergia, Asma e Imunologia, os sintomas mais comuns da asma incluem: tosse, especialmente à noite; chiado, principalmente quando se expira; dificuldades para respirar ou respiração ofegante; dor ou “aperto” no peito.

Doença celíaca mata 42.000 crianças por ano no mundo


Ainda desconhecida pela grande maioria da população – e, infelizmente, por parte da classe médica – a doença se caracteriza pela intolerância ao glúten, uma proteína presente no trigo, na cevada e no centeio

Doença celíaca: o glúten, presente no trigo, na cevada e no centeio, é responsável por desencadear a patologia(Thinkstock)



O ano é 2005. A professora universitária Flávia Anastácio de Paula lida com uma cena que virou rotina. Seu filho do meio, Emílio, então com apenas dois anos, vomita sem parar durante horas. Abaixo do peso, com constipação crônica, crises de hiperatividade, pneumonias frequentes, dores fortes nas pernas e peso e estatura muito abaixo do indicado, Emílio começou a adoecer quando tinha apenas seis meses de vida. À época, Flávia deu início a uma via-crúcis: descobrir qual era a doença do filho. No caminho, que durou quatro anos, passou por mais de 15 médicos diferentes, dezenas de exames clínicos e laboratoriais e internações hospitalares regulares. Em setembro de 2007, aos quatro anos, Emílio foi enfim diagnosticado: ele era portador da doença celíaca.
Ainda desconhecida pela grande maioria da população – e, infelizmente, por parte da classe médica – a doença se caracteriza pela intolerância ao glúten, uma proteína presente no trigo, na cevada, na aveia e no centeio. O primeiro levantamento global sobre a doença, divulgado no final de julho, indica que ela cause a morte de cerca de 42.000 crianças todos os anos no mundo. Em entrevista ao site de VEJA, Peter Byass, epidemiologista coordenador do estudo que reuniu o departamento de saúde pública e medicina clínica da Universidade de Umea, na Suécia, e a Faculdade de Saúde da Universidade de Witwatersrand, na África do Sul, avalia que no Brasil 200 crianças morram anualmente em função desse mal. Alguns estudos internacionais afirmam ainda que uma a cada 100 pessoas no mundo seja portadora da doença; outros, que mais da metade dessas pessoas não sabem que estão doentes. No Brasil pouco se sabe sobre a incidência da doença, já que faltam levantamentos nacionais. Dados de uma pesquisa da Universidade Federal de São Paulo, realizada em 2007, apontam que um a cada 214 brasileiros tem a doença. Os dados existentes sobre doença celíaca, como se vê, são poucos, dispersos e por vezes desatualizados.