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sábado, 24 de setembro de 2011

Pesquisadores descobrem como ativar a gordura "boa"


A gordura marrom, que queima energia, poderia desempenhar um papel importante na luta contra a epidemia de obesidade no mundo

Obesidade: cientistas esperam usar a gordura marrom para combater o sobrepeso em adultos (Stockbyte/Thinkstock)
Pesquisadores do Joslin Diabetes Center, em Boston, nos Estados Unidos, conseguiram identificar pela primeira vez duas vias moleculares fundamentais para a ativação da gordura marrom, chamada de "gordura boa", no organismo. Como essa gordura leva a um gasto calórico mais elevado, a descoberta pode ser um passo importante na luta contra as epidemias de obesidade e diabetes pelo mundo.

Publicado no periódico médicoEndocrinology, o estudo encontrou dois caminhos que levam à ativação da proteínanecdin, responsável por impedir que a gordura marrom cresça. Com essa informação, procurou-se, então, descobrir outros caminhos de ação: seja para inativar ou ativar a necdin pelo estímulo a duas proteínas distintas. "Essa é uma peça muito importante do quebra-cabeça", diz Aaron Cypess, coordenador da pesquisa. "A questão é que temos de aprender a cultivar essas células de gordura marrom. Há muita informação ainda faltando, mas preenchemos alguns detalhes importantes."
De acordo com a pesquisa, a descoberta pode ajudar a desenvolver intervenções com o uso da gordura marrom para o tratamento da obesidade e do diabetes. Uma das ideias levantadas seria a de cultivar a gordura marrom em laboratório e transplantá-la para o corpo de pessoas que necessitem dela. Outra, poderia ser o desenvolvimento de drogas que estimulem o crescimento desse tecido no organismo.
Estudos anteriores – A pesquisa é a mais recente de uma série de estudos que vem sendo coordenador por Aaron Cypess e Yu-Hua Tseng. Em julho, Cypess já demonstrado que a gordura marrom pode ser vista em exames de imagem em cerca de metade das crianças até a puberdade. Depois desse período, ela começaria a desaparecer, de acordo com um estudo publicado no Journal of Pediatrics.
Em 2009, Cypess e sua equipe demonstraram pela primeira vez, em pesquisa no New England Journal of Medicine, que a gordura marrom é ativa em adultos. Anteriormente, se acreditava que a gordura marrom estava presente apenas em bebês e crianças. O estudo, no entanto, mostrou que ela foi encontrada em 5,4% de todos os adultos, com índices mais elevados nas mulheres.
Um estudo de 2008 publicado na Nature por Tseng descobriu que uma proteína chamada BMP7 podia induzir a formação de gordura marrom. Outra pesquisa recente, de 2011, identificou células precursoras em camundongos que poderiam ser ativadas pela BMP7 e outros indutores para se transformarem em gordura marrom.
Em relação à pequena porcentagem de pessoas onde a gordura marrom foi detectada no estudo de 2009, Tseng diz que é possível que uma porcentagem muito mais alta de pessoas tenha a gordura marrom – possivelmente todo mundo – mas que ela não foi possível de se detectar porque os aparelhos usados não eram sensíveis o suficiente ou porque ela pode não ter sido ativa na maioria das pessoas. "Gordura marrom queima energia, é um tecido especial. Estes estudos abriram uma nova avenida para o tratamento da obesidade e suas doenças relacionadas", diz Tseng.

Poluição do ar pode aumentar risco de ataque cardíaco

Problema ocorre em pacientes que já estavam propensos a sofrer infarto

Prejuízos à saúde: exposição à poluição do ar pode aumentar os riscos de ataque cardíaco (Thinkstock)

A poluição do ar aumenta o risco de ataque cardíaco em pacientes que já sofrem de males do coração. É o que mostra uma pesquisa publicada na versão on-line do periódico médico British Medical Journal. De acordo com o estudo, as primeiras seis horas de exposição à poluição são marcadas pela evolução do risco de infarto em pacientes que já estavam propensos a sofrê-lo - já que a sujeira do ar funciona como um "acelerador" da evolução dos problemas cardíacos. As causas para esse aumento, no entanto, ainda não foram estabelecidas.
Dada a natureza transitória da elevação dos riscos, os pesquisadores especulam que o ataque cardíaco poderia ter acontecido de qualquer maneira, e foi apenas adiantado em algumas horas – um efeito da poluição conhecido como deslocamento (ou colheita) em curto prazo. Enquanto pesquisas estabelecidas concluíram que altos níveis de poluição estão associados a morte prematura por doenças cardíacas, a relação com um aumento nos riscos de ataque cardíaco ainda permanecia obscura.
Levantamento de dados - Durante a pequisa, Krishnan Bhaskaran, epidemiologista da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, e sua equipe revisaram 79.288 casos de ataque cardíaco, de 2003 a 2006, e a exposição de cada pessoa, de hora em hora, aos níveis de poluição atmosférica.
Os autores usaram o padrão UK National Air Quality Archive para investigar os níveis de poluentes específicos na atmosfera. Isso incluía partículas poluentes (PM10), monóxido de carbono (CO), dióxido de nitrogênio (NO2), dióxido de enxofre (SO2) e ozônio. Altos níveis de PM10 e NO2 são marcadores de poluição causada pelo tráfego, de acordo com Bhaskaran.
Dado que os autores não encontraram um aumento líquido no risco de ataque cardíaco durante um período de tempo mais longo, eles argumentam que pode haver “um potencial limitado para reduzir a carga global de infarto do miocárdio apenas pela redução da poluição. Mas isso não deve comprometer ações para controle da poluição do ar, que tem associação com um viés mais amplo da saúde, como mortalidade geral, respiratória e cardiovascular”.
Em um editorial que acompanha a pesquisa, Richard Edward e Simon Hales, da Universidade de Otago, na Nova Zelândia, afirmam que, apesar da força do estudo, é possível que o verdadeiro efeito não tenha sido totalmente esclarecido - tanto pela utilização de medidas imprecisas quando pelo poder estatístico inadequado. “Considerando-se outras evidências de que a exposição à poluição aumenta a mortalidade em geral e a morbidade, o controle rigoroso dos níveis de poluentes deve permanecer forte”, disseram.

Descobertos novos genes responsáveis pela hipertensão


No futuro, pacientes poderão ser classificados pelas variantes de risco que têm em seus genes

Pressão arterial: variações genéticas que acabam de ser identificadas são responsáveis por hipotensão e hipertensão(Thinkstock
Pesquisadores da Sahlgrenska Academy, da Universidade de Gotemburgo, na Suécia, identificaram 16 novas variações genéticas que interferem na pressão sanguínea. Eles participaram de um estudo internacional que analisou 200 mil europeus e mais de 2,5 milhões de alterações de DNA. A pesquisa, apresentada no periódico Nature Genetics, dá um importante passo para melhorar diagnósticos e tratamentos do problema.

As novas regiões identificadas no estudo possuem genes que regulam a pressão arterial e podem ser responsáveis tanto pela pressão baixa quanto pela alta.
A partir dessas descobertas, os cientistas criaram grupos de risco genético, que podem ajudar a prever derrames e ataques do coração nos pacientes. "Nós poderemos classificar as pessoas com base em quantas variantes de risco para hipertensão elas têm em seus genes", diz Fredrik Nyberg, pesquisador da Sahlgrenska Academy e um dos autores do estudo.
Os especialistas da universidade sueca fazem parte de um grupo internacional composto por mais de 400 pesquisadores dos Estados Unidos, Europa, Ásia e Austrália. Com base em dados genéticos, estudam partes de genes que influenciam a pressão arterial.
No mesmo periódico, esses pesquisadores publicaram outro estudo sobre o assunto, destacando a importância de analisar as diferentes medidas de pressão sanguínea. Nele, identificaram novas regiões genéticas e genes que controlam duas medidas de pressão arterial: a pressão de pulso, que é a diferença entre as pressões sistólica (maior) e diastólica (menor); e a média da pressão arterial, ou seja, a média entre a sistólica e diastólica.
A pressão alta é um dos mais urgentes problemas de saúde mundiais. De acordo com a pesquisa, um bilhão de pessoas no mundo sofrem de hipertensão e, portanto, estão na zona de perigo para contraírem doenças cardíacas e terem um acidente vascular cerebral.