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sábado, 7 de janeiro de 2012

Temperatura, exposição ao sol e gênero são fatores de risco para o glaucoma

Mulheres e pessoas que vivem em regiões frias têm mais riscos para a doença

Glaucoma: as mulheres correm mais riscos de desenvolver a doença 

Idade, sexo e local de residência são fatores de risco para a síndrome da pseudo-exfoliação (SPEX), uma condição no olho considerada uma das principais causas de glaucoma secundário aberto. O estudo, realizado pelo Centro de Excelência em Glaucoma de Massachusetts, nos Estados Unidos, foi publicado no periódico Ophthalmology.
A síndrome da pseudo-exfoliação se caracteriza pela deposição de material anormal sobre o olho, e, geralmente, atinge pessoas acima dos 60 anos. O glaucoma secundário aberto é um aumento da pressão intraocular, que ocorre após doenças inflamatórias, catarata avançada, alteração dos pigmentos naturalmente existentes dentro dos olhos, hemorragia e obstrução de vasos intraoculares. Normalmente, o paciente não sente dor e perde a visão lentamente.
“Embora muitos estudos tenham relatado uma epidemia da doença, alguns aspectos básicos da descrição epidemiológica, que podem ajudar a esclarecer as causas, são inconsistentes”, diz Louis Pasquale, um dos autores do estudo e diretor do Centro de Excelência em Glaucoma de Massachusetts. “Nessa pesquisa, nós descobrimos que as mulheres são mais vulneráveis e que o local onde você mora faz diferença no desenvolvimento da doença.”
Pesquisa – Foram usados dados de 78.955 mulheres e de 41.191 homens residentes nos Estados Unidos, acompanhados durante 20 anos ou mais, que forneceram informações sobre o local de residência. O estudo confirmou associações estabelecidas com idade, histórico familiar e a doença, além de novas informações sobre gênero e cor dos olhos.
“Pessoas com história de vida residencial nas regiões centrais e sul dos Estados Unidos têm 47% e 75% de redução nos riscos, respectivamente, comparados àqueles que vivem no norte”, afirmaram os autores. Casos positivos de histórico familiar de glaucoma estavam associados ainda com risco mais do que dobrado para a doença. Cor da íris não foi um fator de risco.
“O estudo demonstra que existe uma associação positiva entre latitude e risco de síndrome da pseudo-exfoliação”, diz Pasquale. “Outra pesquisa que publicamos recentemente sugere que temperaturas ambientais baixas interagem com um aumento da exposição solar para aumentar os riscos de SPEX. Esse novo trabalho demonstra uma relação entre o aumento da latitude e uma forte predisposição ao glaucoma.”


sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Memória e raciocínio se deterioram a partir dos 40 anos, diz estudo

Em 10 anos, o rendimento de raciocínio caiu 3,6% para os homens e mulheres de 45 a 49 anos

Cognição: capacidade de raciocinar e compreender diminuem rapidamente conforme envelhecemos 

A memória e o raciocínio começam a se deteriorar a partir dos 40 anos de idade, muito antes dos 60 anos, como se acreditava de maneira geral. A descoberta foi feita por um estudo publicado nesta sexta-feira pela revista médica britânica British Medical Journal (BMJ).
"Nossa capacidade de raciocinar e compreender começa a declinar já a partir dos 45 anos de idade", afirma um comunicado do Instituto Nacional de Saúde e Pesquisa Médica (INSERM) francês, responsável pelo estudo. Segundo o INSERM, os resultados mostram que o rendimento cognitivo (com exceção dos testes de vocabulário) diminui com a idade, e isto ocorre cada vez mais rapidamente na medida que as pessoas envelhecem
Pesquisa - Na análise, desenvolvida por especialistas do INSERM francês e da University College de Londres, a saúde mental de mais de 7.000 pessoas foram estudadas e acompanhadas por dez anos (1997-2007). Os participantes eram funcionários públicos do Reino Unido, com idades entre 45 e 70 anos. As funções cognitivas dos voluntários foram medidas três vezes durante os dez anos. A ideia era avaliar a memória, o vocabulário, a audição e a compreensão.
Entre os testes aplicados, estavam: o de escrever a maior quantidade de palavras que pudessem lembrar que começassem com a letra S, ou a maior quantidade de nomes de animais. Todas as pontuações cognitivas, com exceção do vocabulário, começaram a diminuir entre todos os grupos de idades que foram avaliados. Porém, o decréscimo foi mais acentuado entre os funcionários com maior idade.
Em 10 anos, o rendimento de raciocínio caiu 3,6% para os homens de 45 a 49 anos, e 9,6% para os de 65 a 70 anos. No caso das mulheres, a queda é a mesma (-3,6%) para o primeiro grupo etário e menos considerável (-7,4%) para as mulheres de 65 a 70 anos.
Para Archana Singh-Manoux, que coordenou a equipe do INSERM, é importante determinar a idade de início do declínio cognitivo. "Isso porque possivelmente é mais eficaz atuar desde o começo desse declínio, em particular com o uso de medicamentos, para mudar a trajetória do envelhecimento cognitivo".
Controvérsia - Apesar de estar claro que o rendimento cognitivo diminui com a idade, a data de início da queda gera controvérsia. Estudos recentes descartaram que o fenômeno pudesse começar antes dos 60 anos, segundo o INSERM. "A expectativa de vida segue aumentando e entender o envelhecimento cognitivo será um dos desafios deste século", concluíram os pesquisadores. Os especialistas também destacaram a importância de levar uma vida saudável, já que isto é muito beneficente em longo prazo.



Pesquisa sugere que beber leite na adolescência aumenta risco de câncer de próstata

Homens que consumiam a bebida mais de uma vez ao dia quando jovens aumentaram em três vezes as chances de desenvolver a doença

Leite na adolescência: bebida foi associada a maior incidência de câncer de próstata avançado 

Segundo uma pesquisa feita na Universidade da Islândia, homens que bebem mais leite na adolescência têm três vezes mais risco de desenvolver câncer de próstata avançado quando adultos. O estudo foi publicado no periódico American Journal of Epidemiology.
Ao longo de 24 anos, foram acompanhados 8.894 homens que haviam nascido entre 1907 e 1925. Nesse período, 1.123 homens desenvolveram câncer de próstata, sendo que 371 eram casos avançados da doença. O estudo observou que homens que se lembravam de beber leite uma ou mais vezes por dia quando adolescentes tinham três vezes mais chances de desenvolver câncer de próstata avançado do que aqueles que diziam consumir a bebida menos de uma vez ao dia.
Além disso, aqueles que viveram em áreas rurais nos primeiros 20 anos de vida mostraram ter uma chance 29% maior de ter a doença do que os homens que viviam na capital, onde o leite era escasso na época. Homens do campo que haviam nascido antes de 1920 apresentaram chances 64% maiores do que homens da cidade.
"Acreditamos que nossos dados fornecem evidências importantes para o papel da adolescência como um período sensível para o desenvolvimento do câncer de próstata", afirmou Johanna Torfadottir, coordenadora do estudo, à agência de notícias Reuters. Os pesquisadores ressaltam, porém, que esses dados não são suficientes para que os adolescentes deixem de consumir a bebida, e que mais estudos são necessários para confirmar os resultados.
Consumir ou não leite? — Apesar dos resultados do estudo, para o médico urologista César Câmara, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, as pessoas não devem limitar o consumo de leite para prevenir o câncer de próstata, já que fatores como estilo de vida e outros hábitos alimentares podem ter interferido nos dados. "A partir dessa pesquisa, provavelmente outras serão desenvolvidas para que essa relação entre o leite e a doença seja melhor compreendida", afirma.
Segundo Câmara, o principal fator de risco para o câncer de próstata é a existência de casos da doença na família. "Estilo de vida saudável não só quando adulto, mais durante toda a vida, inclusive na adolescência, como observou o estudo, pode interferir fortemente no risco de doenças ao longo da vida", diz o médico.